Hoje, eu tava pensando sobre algumas coisas... como sempre, lógico... eu acho q sempre penso demais e... bom, isso não vem ao caso, no momento.
E me lembrei da razão pela qual o meu jeito de escrever é, sempre que possível, o mais claro e objetivo que eu possa me permitir. É simples: as pessoas que fazem Letras comigo têm neura pra escrever coisas complexas e complicadas e compridas e rebuscadas e eu não sou assim!
Eu sou totalmente contra isso, afinal, a língua serve pra gente se comunicar, não pra se complicar... Estudar a língua deveria ser um meio de melhorar a comunicação, de fazer com que isso seja algo mais prático e mais possível pra todos e tudo mais... Inclusive, os professores pedem: "Meninas, sejam claras e objetivas, por favor!"
E se, em desacordo com o ouvinte/leitor e a minha intenção, eu abusar de um vocabulário erudito, complexo e de construções sintáticas cheias de inversões e orações coordenadas, de que vai me adiantar tentar explicar alguma coisa? Como vou tentar abrir alguma 'porta' em um blog que se chama 'Na corda bamba', remetendo a um livro cuja história é de uma menina que abre portas para se redescobrir?
Nao que a intenção do blog seja somente me redescobrir, mas é, também... e esse não é o assunto do post.
Voltando pra o que eu realmente me proponho a escrever sobre, hoje, é bem interessante essa relação de poder entre as pessoas e a linguagem. Logicamente, quem consegue escrever melhor, falar melhor e apresenta um conhecimento apurado da gramática e das normas cultas da nossa lingua vai estar numa posição superior à de quem não conhece.
Logicamente? Mas e aquela senhora que nunca estudou, no máximo fez até a 4° série e sabe só assinar seu próprio nome, fala com as palavras mais imples e comuns da língua, não sabe as regras gramaticais de cor e apenas utiliza o que é de natural, aprendido por viver em sociedade, porém conta histórias como ninguém e sabe mais sobre a vida e sobre a lua, as estrelas, as pessoas e o mundo do que um sujeitinho que acabou de se formar e só porque se matou de ler Baudelaire e Cia, acha que é o dono do mundo e da verdade (como tem um na minha salitcha e eu tenho ganas de matá-lo)?
Aquela senhora, com certeza, tem muito mais valor do que esse sujeitinho. Não somente por sua linguagem, simples, sem tantos termos coesivos que evitem repetições ou por não ter um vocabulário tão extenso que ela consiga se explicar sempre do jeito que bem entender. Ela tem valor porque utiliza essa linguagem, qualquer que seja, se aproveita de suas mãos, sua expressão, seu amor e carinho para comunicar-se e manter vivo o que ela sabe, valorizando também o que as outras pessoas têm para ensinar. Que seja o Saussure, o Baudelaire ou o Aristóteles, que seja um ensinamento do neto, do sobrinho ou da outra senhora que vai com ela pra igreja aos sábados.
Muito mais valor pra quem utiliza-se da sua própria linguagem, de maneira comum, lúdica, simples, complexa, poética ou não, e entretanto consegue, de qualquer forma, transmitir o que pensa e respeitar o que o outro tem. Sou muito mais o tipo de gente que, ainda assim, com qualquer forma de expressão, considera os pensamentos das outras pessoas porque não importa
como se comunica, importa
o que está sendo transmitido.
Afinal de conta, somos pessoas, comunicáveis, sociáveis e dependentes umas das outras, que se utilizam da língua pra isso e ainda bem, cada um tem uma opinião diferente sobre tudo.
Muito mais valor pra quem sabe valorizar essa diversidade de opiniões, formas, cores e palavras e consegue crescer com tudo isso.
Viva quem se COMUNICA!
Um poeminha nada a ver com o post... ou tem?
Bom, fica a seu critério, querido leitor, decidir isso (não que seja comum eu dar espaço pra você nesse blog que é o
MEU lugar onde
EU posso deixar o
MEU egocentrismo vir a tona, mas hoje eu to de bom humor e aberta a novas opiniões)
(mas não abusem)
(hehe brinks)
Natureza Humana
Cheguei. Sinto de novo a natureza
Longe do pandemônio da cidade
Aqui tudo tem mais felicidade
Tudo é cheio de santa singeleza
Vagueio pela múrmura leveza
Que deslumbra de verde e claridade
Mas nada. Resta vívida a saudade
Da cidade em bulício e febre acesa
Ante a perspectiva da partida
Sinto que me arranca algo da vida
Mas quero ir.
E ponho-me a pensarQue a vida é esta incerteza que em mim mora A vontade tremenda de ir-me embora E a tremenda vontade de ficar. Vinicius de Moraes