De que adianta toda poesia, se nos foge o tempo para aproveitá-la? Se não nos permitem o deleite de cada palavra inventada, transformada e escancarada em cada verso, estrofe e poema.
De que adianta a inspiração, se nos travam em tantos carros, esquinas, avenidas e chefes. Se não podemos mais ser nós mesmos, se não conseguimos respirar todo o amor, saudade, alegria e felicidade que nos falta respirar...
De que adianta querer o sabor da fruta inteira, uma flor pra vida toda, a roda de samba que nunca para e a liberdade de espírito que carrega a vida, se nada disso nos é permitido com todas as televisões, internets, escolas, provas e currículos?
De que adiantam livros não lidos, poemas não recitados, músicas que não são tocadas, nem ouvidas, nem dançadas... De que adianta dançar e não ter música ou quem assista?
Por que as almas gritam por amor, cor, flor, dor e arte, enquanto o dinheiro grita por trabalho, robos, trabalho e trabalho, sem rimas? Por que há tanta necessidade de poesia, alegria, simpatia, nostalgia num mundo que nem se importa mais em sentir?
Adianta, me dirão, para que nossa humanidade não se perca, para que as palavras, as expressões, os teatros, danças e músicas não se esvaeçam em todos os malvados e inescrupulosos caminhos que a sociedade tão necessitada de roupas, relógios, celulares, computadores e televisões nos faz encontrar.
Adianta, lhes direi, para que a gente não esqueça de quem é. Adianta, lhes direi, porque as músicas e as cantorias, os livros e as histórias, os corpos e a dança, os palcos e os teatros não podem viver sem nós. E nós não podemos viver sem eles. Tudo misturado, tudo separado, com um ou outro, não importa... importa que sempre nos adianta ter arte.
E, com o tempo passando...
27 minutos atrás










